Uma ação de vacinação realizada em escola do território da USF Paulo Coelho Machado contribuiu para a atualização da situação vacinal de alunos e profissionais da educação.

A vacinação como pilar da Atenção Primária à Saúde

No Sistema Único de Saúde (SUS), a Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial e a principal ordenadora do cuidado. É nas unidades de saúde da família, próximas de onde as pessoas moram, estudam e trabalham, que se constrói o vínculo entre equipes e comunidade e que se desenvolvem ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e acompanhamento longitudinal. Entre essas ações, a imunização ocupa lugar de destaque: o Programa Nacional de Imunizações é reconhecido por sua abrangência e pelo papel decisivo no controle de doenças que, no passado, causavam grande número de internações e óbitos.

Manter a população com o calendário vacinal em dia, porém, exige mais do que ofertar vacinas dentro da unidade de saúde. Muitas pessoas deixam de se vacinar por falta de tempo, por dificuldades de deslocamento, por desinformação ou simplesmente porque o esquema vacinal ficou incompleto ao longo dos anos. Por isso, as equipes de APS buscam levar a vacinação aos espaços da vida cotidiana, com destaque para as escolas, onde convivem crianças, adolescentes e profissionais da educação.

A ação realizada no território da USF Paulo Coelho Machado

Foi nesse contexto que ocorreu uma ação de vacinação em uma escola localizada no território da USF Paulo Coelho Machado. A atividade teve como objetivo contribuir para a atualização da situação vacinal tanto dos estudantes quanto dos profissionais da educação, levando o serviço de saúde ao encontro de quem frequenta diariamente o ambiente escolar.

Ao todo, 16 pessoas foram vacinadas. Desse total, 11 eram crianças e adolescentes e 5 eram adultos do corpo docente. Durante a ação, foram aplicadas 37 doses de vacinas, distribuídas da seguinte forma: 13 doses de Influenza, 8 doses de Dengue, 4 doses de Meningocócica ACWY, 4 doses de HPV, 4 doses de dT (dupla adulta) e 4 doses de Febre Amarela.

A variedade de imunizantes aplicados mostra que a ação não se limitou a uma única campanha. Ela funcionou como uma oportunidade de revisar cadernetas e esquemas vacinais, permitindo que cada pessoa recebesse as doses de que precisava. Durante a atividade, foi possível identificar esquemas vacinais incompletos, o que é um dos resultados mais relevantes desse tipo de iniciativa, pois revela lacunas que poderiam passar despercebidas na rotina e permite corrigi-las no mesmo momento.

Prevenção de doenças imunopreveníveis

As vacinas aplicadas protegem contra doenças de natureza e gravidade diversas. A vacina contra a influenza reduz o risco de formas graves da gripe e de complicações respiratórias, e sua aplicação anual é recomendada justamente porque os vírus circulantes se modificam. A vacina contra a dengue integra o conjunto de estratégias de enfrentamento de uma doença de grande impacto nos territórios brasileiros. A vacina meningocócica ACWY previne a doença meningocócica, que pode evoluir de forma rápida e grave, sobretudo entre adolescentes e adultos jovens. A vacina contra o HPV é uma importante ferramenta de prevenção de cânceres e lesões associados ao vírus. A dT, dupla adulta, protege contra difteria e tétano, e a vacina contra a febre amarela previne uma doença infecciosa grave, para a qual a imunização é a principal medida de proteção.

Ao ampliar o acesso a esse conjunto de vacinas, a ação fortaleceu a prevenção de doenças imunopreveníveis no território, protegendo não apenas quem recebeu as doses, mas também, de forma coletiva, as pessoas com quem convivem. A proteção individual, somada à de muitos outros, contribui para a redução da circulação de agentes infecciosos na comunidade.

Saúde e educação em articulação

Realizar a vacinação no ambiente escolar traz uma vantagem importante: a escola é um espaço de grande circulação e de confiança para as famílias. A aproximação entre saúde e educação amplia a cobertura vacinal e facilita o acesso de crianças, adolescentes e profissionais às ações de prevenção desenvolvidas pela Atenção Primária. Em vez de depender de que cada pessoa se desloque até a unidade de saúde, a equipe vai até o local onde o público já está, o que reduz barreiras e favorece a adesão.

Essa articulação também fortalece o vínculo entre a equipe da USF e a comunidade escolar. A presença dos profissionais de saúde na escola abre espaço para esclarecer dúvidas, combater informações equivocadas sobre vacinas e reforçar a importância de manter a caderneta em dia. Ao incluir os profissionais da educação entre os vacinados, a ação reconhece que quem trabalha diariamente com crianças e adolescentes também precisa de cuidado e proteção.

Importância para o território e para a formação dos residentes

Para o território, ações como essa significam presença ativa da Atenção Primária na vida da comunidade. A busca por pessoas com vacinas pendentes, a oferta de imunização em locais de fácil acesso e o trabalho conjunto com outros setores são expressões concretas dos princípios do SUS, como a integralidade, a equidade e a territorialização do cuidado. Conhecer o território, seus equipamentos sociais e suas necessidades é condição para planejar intervenções que realmente cheguem a quem mais precisa.

Para a formação dos residentes, experiências desse tipo têm grande valor. Atividades realizadas fora das paredes da unidade de saúde ensinam, na prática, como se organiza o trabalho em equipe, como se dialoga com diferentes setores e como se planeja uma ação coletiva de prevenção. A residência em saúde, ao se inserir nos serviços da APS, forma profissionais capazes de enxergar o indivíduo em seu contexto de vida e de articular saúde, educação e comunidade. Participar do planejamento, da organização e da avaliação de ações de vacinação no território contribui para desenvolver competências de comunicação, de gestão do cuidado e de compromisso com a saúde pública.

Considerações finais

A ação de vacinação realizada em escola do território da USF Paulo Coelho Machado mostra como iniciativas simples e bem planejadas podem gerar resultados concretos: 16 pessoas atendidas, 37 doses aplicadas e esquemas vacinais incompletos identificados e corrigidos. Mais do que números, a atividade reafirma o papel da Atenção Primária na prevenção de doenças e na construção de laços entre os serviços de saúde e a comunidade.

Fortalecer a parceria entre saúde e educação é um caminho consistente para ampliar a cobertura vacinal e promover o cuidado de crianças, adolescentes e profissionais. Ações como essa seguem contribuindo para um SUS mais próximo, acessível e comprometido com a proteção da saúde coletiva.

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