A resolutividade da Atenção Primária à Saúde constitui um dos pilares estratégicos para a consolidação de um modelo assistencial eficiente, integrado e centrado na pessoa no âmbito do Sistema Único de Saúde. No cotidiano da Estratégia Saúde da Família, a capacidade de absorver e solucionar demandas dermatológicas e cirúrgicas de pequena complexidade reduz a sobrecarga sobre a atenção especializada, diminui o tempo de espera dos usuários por intervenções simples e fortalece o vínculo de confiança entre a comunidade e a equipe de saúde local. Nesse contexto, a realização de um procedimento para a retirada de um granuloma pyogenicum (ou granuloma piogênico) localizado em membro superior, conduzido na Unidade Saúde da Família Coophavila II pelo médico residente em Medicina de Família e Comunidade Luiz Henrique, sob preceptoria direta da médica de família Caroline, exemplifica a integração profícua entre a formação médica especializada em serviço e a ampliação do escopo de prática no primeiro nível de atenção.
O granuloma piogênico consiste em uma lesão vascular benigna, hiperplásica e frequentemente pedunculada ou séssil, de crescimento rápido, cuja etiologia está habitualmente associada a pequenos traumas locais, episódios de irritação crônica ou alterações hormonais. Embora se trate de uma alteração histológica benigna, a lesão apresenta alta friabilidade e tendência expressiva ao sangramento recorrente diante de mínimos impactos, o que gera desconforto físico, limitação funcional para as atividades diárias do paciente e apreensão quanto ao diagnóstico diferencial com neoplasias cutâneas mais agressivas, como o melanoma amelanótico ou o carcinoma espinocelular. A intervenção cirúrgica de menor porte, realizada no ambiente da Unidade Saúde da Família sob anestesia local e com emprego de técnica asséptica rigorosa, representa a conduta definitiva para a excisão completa e eletrocoagulação da base da lesão, permitindo tanto a resolução imediata do quadro clínico quanto o encaminhamento do material para exame anatomopatológico de confirmação.
A inserção de procedimentos cirúrgicos ambulatoriais na rotina da Atenção Primária à Saúde encontra respaldo nos referenciais norteadores do Ministério da Saúde e da literatura científica sobre Medicina de Família e Comunidade. A prática de Pequena Cirurgia na Unidade Básica de Saúde amplia significativamente o atributo da abrangência (ou integralidade) do cuidado, previsto por Starfield e corroborado pelas diretrizes da Política Nacional de Atenção Básica. A realização do procedimento por um médico residente, acompanhado em tempo real por uma preceptora experiente, consolida a pedagogia da preceptoria reflexiva, em que o aprendizado técnico-operatório se dá de forma segura para o paciente e pedagogicamente estruturada para o médico em formação, aliando o domínio anatômico e cirúrgico à abordagem centrada na pessoa e ao alívio do sofrimento do indivíduo no seu próprio território.
A sustentabilidade e o alcance social de ações dessa natureza refletem a importância do investimento contínuo na infraestrutura das Unidades Saúde da Família e na qualificação do corpo de preceptores e residentes no Brasil. A descentralização de procedimentos de pequeno porte para o nível primário reduz o absenteísmo em consultas especializadas secundárias, otimiza os recursos públicos e ratifica o papel da Medicina de Família e Comunidade como uma especialidade resolutiva, dotada de instrumental técnico capaz de responder com celeridade e densidade tecnológica adequada às necessidades de saúde da população brasileira.