Na última terça-feira, 15 de julho, a Unidade de Saúde da Família Moreninha III foi palco de mais um encontro do projeto de arterapia Tecendo Emoções, que reuniu doze mulheres para a segunda aula de tricô conduzida pelo residente de medicina Lincoln. A iniciativa, que articula saúde mental, arte e vínculo comunitário, vem se consolidando como uma estratégia inovadora de cuidado territorial na atenção primária à saúde.
O encontro, marcado por uma atmosfera de carinho e acolhimento, contou com a participação ativa da psicóloga Lana, que integra a equipe multiprofissional, e com momentos de alongamento orientado pelas fisioterapeutas residentes Thais (R2) e Michele (R1). A combinação entre o fazer manual, a escuta qualificada e o cuidado com o corpo evidencia uma abordagem integral do processo saúde-doença, alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
A experiência do Tecendo Emoções dialoga diretamente com a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), instituída pelo Ministério da Saúde, que reconhece a arteterapia como uma prática que contribui para a promoção da saúde e a prevenção de agravos. Estudos publicados em bases como a SciELO apontam que intervenções baseadas em atividades manuais e expressivas, quando inseridas no contexto da atenção primária, favorecem a redução da ansiedade, o fortalecimento da autoestima e a criação de redes de apoio entre os usuários.

Mais do que uma oficina de tricô, o projeto representa um espaço de troca de saberes e ressignificação do sofrimento psíquico. A presença de residentes de diferentes núcleos profissionais — medicina, psicologia e fisioterapia — demonstra o potencial formativo dessas ações para o ensino em serviço, ao mesmo tempo em que aproxima a universidade das necessidades reais da comunidade. O alongamento conduzido ao final da aula, por sua vez, ilustra a preocupação com o bem-estar físico em um momento de permanência prolongada na mesma postura, integrando práticas corporais ao cuidado emocional.
Iniciativas como o Tecendo Emoções reforçam a importância de se investir em tecnologias leves de cuidado — aquelas baseadas no vínculo, na escuta e na corresponsabilização — como ferramentas centrais para a efetivação da saúde da família. Em um contexto de crescente medicalização e sofrimento psíquico na população brasileira, ações coletivas que promovem autonomia, pertencimento e criatividade representam não apenas um complemento ao modelo biomédico, mas uma reconceituação do que significa fazer saúde no território.