A USF Moreninha III realizou, no dia 17 de junho, o primeiro encontro do grupo de arteterapia Tecendo Emoções, iniciativa voltada à promoção da saúde mental, socialização e fortalecimento de vínculos no território.
No dia 17 de junho de 2026, a Unidade de Saúde da Família (USF) Moreninha III deu início a uma importante estratégia de intervenção psicossocial com a realização do primeiro encontro do grupo de arteterapia "Tecendo Emoções". A atividade, voltada à promoção da saúde mental, socialização e fortalecimento de vínculos afetivos e comunitários no território, foi organizada pelas fisioterapeutas residentes Thais e Michele e pela enfermeira residente Djhenifer. O encontro contou ainda com uma roda de conversa sobre saúde mental conduzida pela psicóloga Lana, enquanto a técnica de enfermagem Elisabete ofereceu orientações práticas sobre o manejo do crochê, unindo a expressão subjetiva ao aprendizado de habilidades manuais.
A inserção da arteterapia no cotidiano da Atenção Primária à Saúde (APS) alinha-se diretamente às diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente após a publicação da Portaria nº 849, de 27 de março de 2017, do Ministério da Saúde. Este ato normativo expandiu o rol da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), incluindo oficialmente a arteterapia como uma abordagem terapêutica integrativa (BRASIL, 2017). A utilização da arte e do fazer manual, como o crochê, atua como um recurso terapêutico que viabiliza a expressão de sentimentos, a redução da ansiedade e a reconstrução de subjetividades, configurando-se como uma alternativa potente ao modelo puramente biomédico e farmacológico de tratamento do sofrimento psíquico.
A literatura científica contemporânea corrobora a eficácia de intervenções artísticas e manuais no campo da saúde mental comunitária. Conforme apontam Vale e colaboradores (2021), a arteterapia na atenção básica atua como um facilitador do acolhimento e da escuta qualificada, permitindo que sujeitos em situação de vulnerabilidade emocional encontrem canais não verbais para manifestar suas angústias. O espaço do grupo terapêutico promove a quebra do isolamento social, estimula a troca de experiências intergeracionais e favorece a criação de redes de apoio mútuo entre os participantes. O desenvolvimento de habilidades manuais, longe de ser uma atividade meramente ocupacional, estimula a neuroplasticidade, a concentração e a autoestima dos usuários.
A atuação de uma equipe multiprofissional, composta por fisioterapeutas, enfermeiras, psicóloga e técnica de enfermagem, reflete o princípio da integralidade do cuidado na APS. A interdisciplinaridade observada na USF Moreninha III demonstra como diferentes núcleos de saber profissional podem convergir para um objetivo comum: o bem-estar biopsicossocial do indivíduo. A presença de residentes na condução do grupo evidencia, além disso, a relevância da integração ensino-serviço, qualificando os futuros profissionais do SUS para uma atuação humanizada, territorializada e sensível às demandas de saúde mental que emergem no cotidiano das comunidades.
Sob a ótica da saúde pública brasileira, a implementação de grupos como o "Tecendo Emoções" representa um avanço significativo na consolidação da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Em um momento histórico de crescente prevalência de transtornos mentais comuns, como a ansiedade e a depressão, descentralizar o cuidado em saúde mental e inseri-lo no território por meio de práticas integrativas é fundamental para desmistificar o sofrimento psíquico e evitar a medicalização desnecessária da vida social. Ao valorizar a cultura local, a convivência comunitária e a expressão artística, a USF Moreninha III reafirma a APS como um espaço de cuidado próximo, resolutivo e promotor de cidadania.