No cenário contemporâneo da Atenção Primária à Saúde (APS), a consolidação de processos formativos integrados ao cotidiano dos serviços de saúde constitui um pilar indispensável para a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Alinhada a essa premissa, a Unidade de Saúde da Família (USF) Coophavila II promoveu uma Reunião de Preceptoria com foco em qualificação profissional, estruturada a partir da proposta de realização de uma Oficina de Metodologias Ativas. A atividade teve como propósito primordial o fortalecimento da formação em serviço, estabelecendo um espaço dialógico de troca, reflexão crítica e constante aprimoramento das práticas pedagógicas adotadas no acompanhamento e supervisão dos residentes que atuam no território.
Historicamente, a formação dos profissionais de saúde no Brasil tendeu a modelos tradicionais e fragmentados, centrados na transmissão passiva de conteúdos. No entanto, a inserção de programas de residência médica e multiprofissional na Estratégia Saúde da Família exige uma mudança de paradigma. Como apontam Silva Junior et al. (2020), o preceptor desempenha um papel estratégico na mediação entre o conhecimento teórico e a prática assistencial diária, necessitando de ferramentas que transcendam a mera supervisão técnica. A ausência de uma formação pedagógica formal entre os profissionais que assumem a preceptoria é um desafio recorrente na APS, o que torna iniciativas de educação permanente essenciais para preencher essa lacuna e qualificar o processo de ensino-aprendizagem no próprio ambiente de trabalho.
Durante o encontro na USF Coophavila II, foram trabalhadas estratégias didáticas pautadas nas metodologias ativas, as quais se caracterizam por colocar o educando como sujeito ativo e corresponsável pelo seu próprio aprendizado. De acordo com Rodrigues (2023), o uso de metodologias ativas na Atenção Primária estimula a autonomia, o protagonismo e a construção coletiva do conhecimento, permitindo que os residentes desenvolvam um pensamento crítico e reflexivo diante dos complexos problemas de saúde apresentados pela comunidade. Ao utilizar ferramentas como a problematização, a discussão de casos clínicos complexos e o planejamento compartilhado de ações territoriais, a preceptoria se torna mais dinâmica e alinhada às reais necessidades epidemiológicas e sociais da população adscrita.
A articulação entre a teoria pedagógica e a prática cotidiana da Saúde da Família, vivenciada nessa oficina, reforça a importância da educação permanente como instrumento de transformação das práticas de saúde. A qualificação dos preceptores reflete diretamente na qualidade do cuidado ofertado, uma vez que residentes bem orientados e estimulados tendem a desenvolver competências clínicas e humanísticas mais robustas. Esse ciclo virtuoso qualifica o atendimento direto ao usuário, amplia a resolutividade da atenção básica e fortalece o vínculo entre a equipe de saúde, a instituição de ensino e a comunidade local, consolidando a indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a assistência.
Por fim, a análise crítica dos impactos dessa qualificação revela que investir na formação pedagógica dos preceptores na Atenção Primária é uma estratégia de alto impacto para a sustentabilidade do SUS. A qualificação contínua não apenas melhora a retenção de profissionais em áreas periféricas, mas também eleva o padrão ético-científico dos serviços prestados. Ao transformar as unidades de saúde em espaços de aprendizagem significativa e de produção de saberes baseados no território, a USF Coophavila II demonstra que a educação permanente é o caminho mais seguro para a consolidação de uma APS resolutiva, equitativa e verdadeiramente comprometida com as necessidades sociais em saúde no Brasil.