Na última quinta-feira, 27 de março de 2026, a Unidade de Saúde da Família (USF) Coophavila II, em Porto Alegre, sediou mais uma edição do Grupo de Idosos “Conviver”, uma iniciativa que consolida o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na promoção do envelhecimento saudável. O encontro, direcionado à população idosa do território, concentrou-se em temas cruciais como a violência contra a mulher idosa e a saúde sexual nessa fase da vida, criando um espaço para diálogo aberto, orientação e conscientização sobre direitos, prevenção e cuidados integrados.
A violência contra a mulher idosa representa um problema subnotificado no Brasil, com dados recentes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) alertando para o crescimento de casos em 2025, especialmente em áreas urbanas, onde cerca de 10% dos idosos relatam experiências de abuso, predominantemente psicológico (SBGG, 2025). Estudos como o de Oliveira et al. (2023), publicado na Cogitare Enfermagem, destacam que essa forma de violência frequentemente ocorre no âmbito familiar, agravada por vulnerabilidades como dependência econômica e isolamento social, o que reforça a necessidade de ações preventivas na APS, conforme preconiza o Guia de Cuidados para a Pessoa Idosa do Ministério da Saúde (Brasil, 2023). No evento da USF Coophavila II, as discussões enfatizaram a identificação precoce de sinais, o empoderamento por meio do conhecimento de direitos previstos na Lei Maria da Penha e na Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, e a importância de redes de apoio comunitário para romper o ciclo de silenciamento.
Paralelamente, o debate sobre saúde sexual da pessoa idosa ganhou destaque, alinhando-se à definição da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que a concebe como um estado de bem-estar físico, mental e social relacionado à sexualidade, livre de coerção e promissor de experiências prazerosas e seguras (OPAS/OMS, s.d.). Idosos enfrentam maior vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) devido a fatores como enfraquecimento imunológico, redução da percepção de risco e baixa adesão a práticas preventivas, como apontado por Andrade (2017) em análise sobre vulnerabilidade na SciELO. Durante o encontro, foram realizados 20 testes rápidos para ISTs, ampliando o diagnóstico precoce e integrando-se às diretrizes da APS para rastreio e dispensação de preservativos, ações que combatem a invisibilidade desse tema na terceira idade, conforme revisão integrativa sobre o papel do enfermeiro na prevenção (Revista FT, 2025).
A programação foi enriquecida por um momento de alongamento orientado por profissional de Educação Física do CRAS Vila Gaúcha, promovendo o bem-estar físico como complemento ao cuidado integral. Essa abordagem multidisciplinar exemplifica a Estratégia Saúde da Família em ação, fomentando hábitos saudáveis e fortalecendo o vínculo comunitário, em linha com as recomendações do Ministério da Saúde para grupos de convivência que integram educação em saúde e atividades práticas (Brasil, 2023).
Essa iniciativa da USF Coophavila II ilustra o potencial transformador da APS na saúde pública brasileira, onde o envelhecimento populacional acelera demandas por cuidados preventivos e humanizados. No entanto, persistem desafios como a subnotificação de violências e ISTs entre idosos, demandando maior qualificação de equipes e articulação intersetorial para mitigar impactos como o aumento de morbimortalidade e custos ao SUS. Ao priorizar o diálogo e o acolhimento, ações como o “Conviver” não só empoderam a população idosa, mas contribuem para uma rede de proteção mais robusta, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e às políticas nacionais de envelhecimento ativo.