Em meio à mobilização nacional pelo Dia Mundial da Saúde Bucal, celebrado em 20 de março, a Unidade de Saúde da Família (USF) Santa Emília promoveu o Dia B da Saúde Bucal na EMEI Santa Emília, integrando ações de prevenção, tratamento e educação em um ambiente escolar propício à formação de hábitos saudáveis desde cedo. Essa iniciativa, alinhada às diretrizes do Programa Saúde na Escola (PSE), instituído pelo Decreto nº 6.286/2007 (BRASIL, 2007), reforça a intersetorialidade entre saúde e educação, priorizando a Atenção Primária à Saúde (APS) como eixo central para a redução de agravos bucais como a cárie dentária, que afeta cerca de 67% das crianças brasileiras, conforme levantamento recente do Ministério da Saúde (BRASIL, 2023).
A ação envolveu as residentes de Odontologia R1 Gabriela e Letícia, sob orientação da preceptora Ana Paula e com apoio da auxiliar Bruna, destacando o trabalho multiprofissional essencial na APS. Kits de higiene bucal foram distribuídos às crianças, incentivando a escovação regular e o uso de fio dental, práticas fundamentais para mitigar o risco de doenças periodontais e perda dentária precoce. Paralelamente, procedimentos de Tratamento Restaurador Atraumático (ART) foram realizados, técnica minimamente invasiva recomendada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para contextos de baixa complexidade, como escolas, onde a adesão ao tratamento é elevada devido à ausência de anestesia e ao caráter restaurador imediato (OPAS/OMS, 2020).
O levantamento epidemiológico via índice CPO-D (Cariados, Perdidos e Obturados-Decíduos), aplicado aos grupos etários 1, 2 e 3, permitiu mapear a prevalência local de cárie, ferramenta crucial para o planejamento territorial. Estudos transversais, como o de Brito et al. (2023), revelam que a prevalência de cárie em crianças de 12 anos em escolas públicas brasileiras atinge níveis alarmantes, associados a fatores socioeconômicos e hábitos alimentares, o que sublinha a relevância de intervenções precoces como as do PSE. Essas avaliações não só quantificam o problema – com o CPO-D médio superando 2,5 dentes afetados em populações vulneráveis (BRITO et al., 2023) –, mas também subsidiam políticas públicas, conectando a teoria epidemiológica à prática cotidiana da Saúde da Família.
As atividades educativas estenderam-se aos pais, por meio de mensagens de reconhecimento e distribuição de lembranças, fomentando o engajamento familiar na promoção da saúde bucal. Essa abordagem holística, preconizada pelo Ministério da Saúde, transforma a escola em espaço de cuidado integral, prevenindo não apenas agravos dentários, mas impactos no desempenho escolar e na qualidade de vida infantil.
No contexto da saúde pública brasileira, iniciativas como o Dia B revelam-se indispensáveis frente ao aumento de cáries em 2025, alertado por especialistas como uma crise emergente (CENTRO ODONTOLÓGICO PRIME PRIMAVERA DO LESTE, 2025). Contudo, persistem desafios: a subfinanciamento da APS odontológica e a desigualdade regional limitam a escalabilidade do PSE, demandando maior articulação federativa. Sem investimentos sustentados, o fardo das doenças bucais continuará sobrecarregando o SUS, perpetuando ciclos de morbidade evitável e comprometendo o direito constitucional à saúde integral (BRASIL, 1988).