SESAU e Fiocruz realizam acolhimento da turma 2026–2028 dos Programas de Residência em Saúde da Família

          Entre os dias 2 e 4 de março de 2026, Campo Grande (MS) recebeu o acolhimento da nova turma de residentes dos Programas de Residência em Saúde vinculados à Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), por meio do Projeto Qualifica APS. Realizada na UNIGRAN, a programação reuniu residentes, gestores, coordenadores e representantes da Atenção Primária à Saúde (APS) do município para marcar o início da formação em serviço da turma 2026–2028, em um momento-chave de integração institucional e alinhamento das atividades que serão desenvolvidas nas Unidades de Saúde da Família (USF) ao longo do ciclo formativo.

          A residência em saúde é reconhecida no Brasil como uma estratégia de especialização baseada no trabalho, com ênfase em práticas supervisionadas e inserção cotidiana nos serviços, o que a coloca no centro dos esforços para qualificar redes assistenciais e responder às necessidades reais dos territórios. Na APS, essa lógica tem implicações diretas: ao formar profissionais no ambiente onde se organizam o primeiro contato, o cuidado longitudinal, a coordenação de fluxos e a abordagem de condições agudas e crônicas, a residência contribui para ampliar a capacidade resolutiva das equipes e fortalecer o SUS a partir de sua porta de entrada. Essa diretriz se articula com a Política Nacional de Atenção Básica, que atribui à APS a responsabilidade de ordenar o cuidado e promover ações de prevenção, promoção da saúde e vigilância em saúde, em diálogo com a rede de atenção (BRASIL, 2017).

          No primeiro dia de atividades, os residentes participaram da acolhida institucional e das boas-vindas da gestão municipal, com apresentações voltadas à organização da APS em Campo Grande e ao funcionamento dos dispositivos que sustentam a integração ensino-serviço. A programação incluiu a apresentação do Projeto Qualifica APS, da Gerência de Educação em Saúde e dos coordenadores dos programas de residência, compondo um panorama essencial para que os profissionais compreendam não apenas o local de atuação, mas também a arquitetura institucional e pedagógica que orientará o percurso formativo. Esse tipo de alinhamento inicial tem relevância prática: ao esclarecer papéis, fluxos e expectativas, reduz incertezas e favorece uma inserção mais segura e produtiva nas unidades, aspecto especialmente importante em cenários de alta demanda assistencial.

          A aproximação com as USF, apresentada ainda no primeiro dia, funcionou como ponte entre o planejamento formativo e a realidade do território. Na perspectiva da Saúde da Família, conhecer previamente os cenários de prática contribui para situar o residente na dinâmica das equipes, na adscrição de clientela, no trabalho multiprofissional e nos processos de cuidado que articulam acolhimento, agenda programada, visitas domiciliares e ações coletivas. No período da tarde, a lotação dos residentes, a entrega de crachás e os registros fotográficos institucionais completaram a etapa organizativa, permitindo que o início das atividades nas unidades ocorra com condições mínimas de identificação, vínculo institucional e segurança administrativa.

          O segundo dia aprofundou a dimensão normativa e pedagógica da residência, com dinâmicas de interação, apresentação dos regimentos da Comissão de Residência Médica (COREME) e da Comissão de Residência Multiprofissional (COREMU), além de atividades específicas dos programas. Ao explicitar regras, direitos e deveres, a gestão acadêmico-assistencial fortalece a governança da formação e contribui para prevenir conflitos e assimetrias na relação entre serviço e ensino. Em termos de política pública, esse ponto é sensível: residências bem estruturadas tendem a produzir efeitos para além do indivíduo em formação, influenciando rotinas, protocolos e a própria cultura de trabalho nas unidades, especialmente quando conseguem manter a supervisão e a preceptoria como eixo organizador do aprendizado em serviço.

           O encerramento, no dia 4 de março, com o encaminhamento dos residentes às respectivas unidades de lotação, formalizou o início das atividades práticas junto às equipes da APS. Na prática, esse movimento inaugura uma etapa em que a formação e o cuidado se entrelaçam de maneira indissociável, com potencial de qualificar processos de trabalho e ampliar o olhar sobre problemas prevalentes no território, como condições crônicas, saúde materno-infantil, saúde mental e vigilância em saúde. Ao mesmo tempo, exige um arranjo institucional consistente para que a presença de residentes se traduza em melhoria de acesso e qualidade, e não apenas em aumento de tarefas para equipes já sobrecarregadas. Nesse sentido, o acolhimento e o alinhamento iniciais funcionam como dispositivos de sustentação do processo formativo, estabelecendo um pacto mínimo entre gestão, instituições formadoras e serviços.

           Ao reforçar o compromisso da SESAU e da Fiocruz com a formação de profissionais qualificados para o SUS, o encontro também sinaliza uma agenda estratégica para a saúde pública brasileira: enfrentar desigualdades e desafios assistenciais com investimento em educação permanente e em formação baseada no território, onde as necessidades são mais visíveis e onde o cuidado pode ser coordenado com maior proximidade da vida cotidiana das pessoas. Em um cenário nacional marcado por pressões sobre financiamento, filas e demandas crescentes por cuidado longitudinal, iniciativas de integração ensino-serviço como o Qualifica APS são particularmente relevantes, pois contribuem para consolidar uma APS forte, com capacidade clínica, trabalho multiprofissional e governança do cuidado, elementos centrais para a sustentabilidade do SUS.


Referências 

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.html.

Acesso em: 9 mar. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde: o que se tem produzido para o seu fortalecimento? Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/.

Acesso em: 9 mar. 2026.


BRASIL. Ministério da Educação. Residência em Área Profissional da Saúde: princípios e diretrizes. Brasília, DF: Ministério da Educação, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/mec/.

Acesso em: 9 mar. 2026.


ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Atenção primária à saúde. Brasília, DF: OPAS, [s.d.]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/atencao-primaria-saude.

Acesso em: 9 mar. 2026.


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