Telefisioterapia emerge como aliada estratégica na gestão do SUS e na qualificação do cuidado na Atenção Primária

A ciência da fisioterapia, tradicionalmente pautada no contato manual e na presença física, atravessa uma transformação paradigmática no Brasil, impulsionada tanto pela necessidade de inovação tecnológica quanto pelas urgências impostas pela saúde pública contemporânea.

No cenário de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, essa evolução ganha contornos práticos e rigor científico por meio do estudo desenvolvido pelo Trabalho de Conclusão de Residência elaborado pela Residente de Segundo ano, Daniele Luz Camilo, no âmbito do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família SESAU/FIOCRUZ.

Sob a orientação da Professora  Doutora Leila Foerster Merey, o trabalho intitulado "Telefisioterapia e Gestão da Demanda: Impacto sobre o Sistema de Regulação e os Desfechos Assistenciais" investiga como a tecnologia pode ser uma aliada estratégica para reduzir filas e ampliar o acesso à reabilitação.

A pesquisa de Camilo e Merey fundamenta-se na compreensão da fisioterapia como uma ciência dedicada à prevenção e tratamento de disfunções cinéticas, essencial para a manutenção da funcionalidade humana ao longo da vida. Diante de um panorama mundial onde os distúrbios musculoesqueléticos figuram como um dos maiores desafios de saúde pública, as autoras destacam que a busca por estratégias que ampliem a cobertura assistencial tornou-se imprescindível. 

A iniciativa Rehabilitation 2030, da Organização Mundial de Saúde, sinaliza para a necessidade de fortalecer a integração da reabilitação nos sistemas nacionais de saúde, elegendo a Atenção Primária como a porta de entrada lógica para esse cuidado, conceito que alicerça o projeto executado em Campo Grande.

No contexto brasileiro, a telessaúde deu seus primeiros passos estruturados em 2005, mas foi o impacto disruptivo da pandemia da COVID-19 que acelerou as regulamentações necessárias para que categorias além da medicina pudessem exercer o cuidado remoto. Daniele Luz Camilo ressalta em seu levantamento que, até 2020, restrições éticas impediam fisioterapeutas de realizar atendimentos à distância, cenário alterado pelo COFFITO através de resoluções que permitiram a teleconsulta, o teleatendimento, o telemonitoramento e a teleconsultoria.


Atualmente, a teleconsulta é definida como a consulta clínica realizada integralmente à distância, enquanto o telemonitoramento foca no acompanhamento de pacientes já avaliados presencialmente. Essa base legal e teórica permitiu que o serviço de telefisioterapia fosse ofertado em Unidades de Saúde da Família vinculadas ao Programa Qualifica APS, onde a pesquisa foi conduzida.

A realidade da capital sul-mato-grossense, descrita pelas autoras, revelava em 2023 uma demanda reprimida crítica, com mais de 12 mil usuários aguardando por atendimento fisioterapêutico no sistema público, sendo que aproximadamente 98% dessa fila correspondia a problemas musculoesqueléticos. A centralização dos serviços de reabilitação em áreas específicas da cidade impunha aos pacientes longos deslocamentos, criando barreiras físicas e sociais que o estudo de Camilo e Merey buscou endereçar através da análise de 208 registros de pacientes atendidos entre abril de 2024 e abril de 2025.

O perfil demográfico identificado pela pesquisadora revela um público majoritariamente feminino, com uma concentração etária significativa entre 50 e 69 anos. Este dado é coerente com a literatura epidemiológica citada no estudo, que aponta uma maior notificação de condições crônicas e quadros de dor funcional nessa população, exigindo do sistema uma resposta contínua e resolutiva.

A análise dos desfechos assistenciais realizada por Daniele Luz Camilo revela a complexidade do engajamento humano no ambiente digital. Embora evidências internacionais sugiram que a telefisioterapia pode apresentar resultados clínicos semelhantes ao atendimento presencial, o estudo em Campo Grande encontrou desafios consideráveis em relação à adesão dos pacientes, visto que muitos fatores podem influenciar como, barreiras estruturais brasileiras, limitações de acesso à internet, baixa familiaridade com o cuidado remoto e as dificuldades intrínsecas ao engajamento em reabilitação à distância, especialmente em serviços públicos de saúde. As autoras destacam a importância de novos estudos para compreender melhor essa questão, visto que a literatura nos mostra relação direta entre adesão e resolutividade do tratamento. Pacientes com maior permanência no serviço e maior engajamento concentraram os desfechos positivos, como altas clínicas ou encaminhamentos qualificados para centros de especialidades.

A pesquisa indica que a telefisioterapia exerceu um papel de filtragem, onde apenas, 6,7% dos atendimentos resultaram em novas solicitações reguladas. Esses dados sugerem que a Telefisioterapia pode ser uma potente ferramenta de cuidado em saúde.

 A implementação desse serviço nas unidades vinculadas ao programa de residência, conforme detalhado no estudo, demonstra a importância da integração entre o ensino, a pesquisa e o serviço público. Através de fluxos de encaminhamento onde o ponto de entrada é a própria Atenção Primária, o paciente é avaliado por profissionais capacitados quanto à sua elegibilidade para o modelo remoto, considerando critérios como acesso à rede e capacidade cognitiva para seguir orientações. A teleinterconsulta, em que o fisioterapeuta especialista realiza a avaliação conjuntamente com o profissional solicitante da unidade, surge no trabalho de Camilo como uma ferramenta poderosa de matriciamento e coordenação do cuidado.

 Conclui-se, com base no rigoroso trabalho de Daniele Luz Camilo e Leila Merey, que a telefisioterapia possui um potencial assistencial e organizacional inegável para o SUS. Embora o abandono ainda seja um fator limitante que exige novas estratégias de retenção e educação digital, a modalidade vêm se consolidando  como uma ferramenta estratégica de apoio clínico e manejo inicial.

O estudo reforça que a resolutividade assistencial e a racionalização da demanda caminham integradas, posicionando a telefisioterapia não como uma substituta, mas como uma extensão eficiente da rede de saúde, capaz de qualificar o acesso e otimizar os recursos públicos em um cenário de alta demanda reprimida. As autoras finalizam ressaltando a necessidade de futuras investigações longitudinais para aprofundar a compreensão dos desfechos clínicos e da contribuição desta modalidade para a organização da rede de atenção à saúde no Brasil.

É fundamental destacar que os resultados apresentados neste trabalho não encerram o ciclo da pesquisa, mas abrem portas para uma validação ainda mais ampla perante a comunidade acadêmica. Como desdobramento natural do rigor metodológico empregado por Daniele Luz Camilo e Leila Simone Merey, os achados deste estudo ainda serão submetidos à publicação em uma revista científica de prestígio, buscando consolidar as evidências sobre o papel da telefisioterapia como ferramenta de transformação no Sistema Único de Saúde.

Essa futura publicação permitirá que a experiência de Campo Grande sirva de modelo para outros municípios brasileiros, fomentando o debate sobre a integração entre tecnologia e cuidado humanizado na saúde pública nacional. Com o amadurecimento desse serviço e a divulgação formal de seus indicadores, espera-se que a telefisioterapia transcenda o caráter experimental e se firme como uma política pública resolutiva, capaz de encurtar distâncias e qualificar a vida de milhares de cidadãos que dependem da reabilitação para retomar sua autonomia e dignidade.


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